Personalidades de Bemposta - Mogadouro

*

 

BEMPOSTA

Lourenço Marcos Cordeiro

(Juiz e vereador da Câmara, em Mogadouro)

 

 

5

 

 

Cónego José Joaquim Campos

 

O “apóstolo” do meio rural      
 

 Mensageiro de Bragança 2006-08-10 

 Faleceu o Cónego José Joaquim Campos, um padre simples, humilde e discreto; considerado, por muitos, a alma apostólica no meio rural da diocese de Bragança - Miranda.
            Nascido a 29 de Março de 1916 em Bemposta, José Joaquim Campos entrou para o seminário de Bragança em 1930. Matriculou-se na Universidade Gregoriana de Roma, no ano de 1939, para frequentar o curso de teologia, mas, logo no ano seguinte viu-se obrigado a regressar a Portugal, por ter “rebentado” a II Guerra Mundial. Em Julho de 1941, terminando o Curso Teológico no Seminário de Bragança, foi ordenado presbítero em Fátima.
             O Pe José Joaquim Campos leccionou as disciplinas de Português, Sociologia, Arte Sacra, Sagrada Escritura, Hebraico e Patrologia no Seminário. Foi professor no Liceu Nacional de Bragança, leccionou Educação Moral e Cívica na Escola do Magistério Primário de Bragança, Religião e Moral no Colégio do Sagrado Coração de Jesus, onde também foi Capelão e Director Espiritual.
 Mas a obra mais relevante que efectuou foi a assistência à Juventude Agrária Católica Feminina (JACF) em época do seu maior apogeu a nível diocesano. Foi, ainda, assistente de todos os Organismos Femininos da Acção Católica. Nas aldeias do Nordeste Transmontano, ainda hoje se notam os efeitos apostólicos deste homem de Igreja. A maioria dos colaboradores dos sacerdotes nos meios rurais, adquiriram a sua formação humana e religiosa nas fileiras da Acção Católica.
              O Cónego José Joaquim Campos foi, ainda, pároco de Rebordãos tendo promovido uma assinalável reforma da novena de Nossa Senhora da Serra. Abandonou as actividades pastorais em 1989, depois de ter sofrido um acidente rodoviário, que o deixou bastante limitado para continuar a garantir a assistências das comunidades que lhe estavam confiadas.
 Para além de todas as actividades apostólicas, pregação de sermões e orientação de diversos retiros, ainda encontrava tempo para se dedicar à escrita. Escreveu diversos poemas e peças de teatro, que eram levadas à cena por toda a Diocese. Colaborou também com o Mensageiro de Bragança, durante vários anos.
            O Cónego Dino Parra na homilia da celebração referiu o Cónego Campos como “um sacerdote que honrou sempre o Sacerdócio, o Seminário que o ordenou, a Diocese que serviu e a Paróquia que o viu nascer e crescer.”        

                                                                            Alberto Pais

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2

 

 

 

Margarida Cordeiro

   

 

Margarida Cordeiro, natural de Bemposta, deu a conhecer um pouco mais da realidade  de Trás-os-Montes, através dos filmes  (Trás-os-Montes e Ana), divulgando costumes, tradições e paisagens naturais.

           Casada com o cineasta António Reis, utilizou como intervenientes nos seus filmes, naturais da aldeia, tais como: António - pescador (Escalo) e D. Ana, sua mãe.

 

            ( Médica e Cineasta )

 

Ver: Vida e obra de António Reis

Filme - Trás-os-Montes

de António Reis

e Margarida Cordeiro  

 

Realização António Reis, Margarida Martins Cordeiro

Som, Montagem António Reis, Margarida Martins Cordeiro

Director de Produção Pedro Paulo

Director de Fotografia Acácio de Almeida

Laboratório de Imagem Tobis Portuguesa

Laboratório de Som Valentim de Carvalho

Produção Centro Português de Cinema, subsidiado pelo Instituto Português de Cinema

Interpretação Habitantes de Bragança (Bemposta) e Miranda do Douro Processo 16 mm - cor - 110 min.

Ano de produção - 1976.

 

 Evocação de uma província portuguesa, o Nordeste, onde as raízes históricas seculares se confundem com as do país irmão que o Douro une.

As crianças, as mães, as mulheres, os velhos, a casa, a terra... A vida de cada dia, o imaginário, as tarefas prestes a desaparecer, a agricultura de subsistência...

A erosão, tempo e a distância.

A presença dos ausentes, de todos nós que partiram em direcção a outros horizontes.

Um poema inspirado por Trás-os-Montes, interpretado pelos seus habitantes.

 

UMA SÍNTESE AMBICIOSA

 Em relação a «Trás-os-Montes», e do ponto de vista de realizador, parece-me de sublinhar até que ponto um público comum estará preparado para receber este filme numa exibição normal, visto que ele conduz, quase necessariamente, a um debate sobre o que é cultura popular e um cinema não narrativa.

Outro aspecto, importante, deve-se à qualidade humana e ao amor com que António Reis e Margarida Martins Cordeiro se dedicaram ao levantamento de uma região, sendo, talvez, das primeiras vezes na história do cinema português que um filme estabelece urna síntese dialéctica ambiciosa quanto ao que os sociólogos chamam de escultura popular»... a quantidade de interrogações que o filme põe ao espectador mais avisado.

Por sua vez, isto dá a «Trás-os-Montes», de António Reis e Margarida Martins Cordeiro, uma posição muito forte e muito original na tentativa de encontrar - coisa que se está a passar um pouco por todo o mundo - um cinema aberto, portanto um cinema que questiona as próprias formas de linguagem cinematográfica, e mesmo as noções de cinema de ficção, cinema de comunicação, por exemplo, para as fundir num todo global.

Penso que um trabalho dotado de tais características terá, sempre, dificuldades com o público; por isso, filmes como «Trás-os-Montes» não há muitos por toda a parte e os poucos que existem são, normalmente, escamoteados dos circuitos normais de exibição.

Que «Trás-os-Montes» tenha conseguido passar em Lisboa, mesmo numa sala de estúdio, e mesmo ás sete da tarde é, apesar de tudo, uma vitória que, no entanto, só terá sentido se o público fizer um esforço para acompanhar a obra, que é daquelas que tendem, como todas a grandes do cinema, a criar um novo tipo de espectador.

 Fernando Lopes

 UM FRESCO EVOCATÓRIO

 «Trás-os-Montes» é essencialmente documental, embora corresponda a uma visão muito peculiar dos seus autores.  Pode dizer-se que insere vários níveis duma memória algo desencantada, que penetra no quotidiano, e reconstituição fantástica de certos pormenores da história e tradição.

Trata-se, melhor, duma fresco ao mesmo tempo crítico e evocatório, que apela para a sensibilidade do espectador, ao mesmo tempo que lhe suscita um assumir de consciência.  Salienta-se, principalmente, o grande vigor da imagem, o que ela transmite e sugestiona: as próprias «ausências» têm um indesmentível cariz significante.

Assim, Trás-os-Montes como país despovoado - a desoladora realidade do esvair emigratório, ou como território localizado nos confins - logo, longe da atenção dos governos «centrais»... Mas o filme colhe igualmente e transmite-nos toda a ressonância cultural genuína e de alta dignidade, bem como a força generosa e o carácter indomável dos seus naturais.

 José de Matos-Cruz

 

 Filme -   ANA

 de António Reis

e Margarida Cordeiro

 

Argumento, Realização, Montagem António Reis e Margarida Cordeiro

Textos Rainer M. Rilke, A. Reis e M. Cordeiro

Fotografia Acácio de Almeida e Elso Roque

Som Carlos Pinto, Joaquim Pinto e Pedro Caldas

Produção António Reis e Margarida Cordeiro

Interpretação Ana Maria Martins Guerra, Octávio Lixa Filgueiras, Manuel Ramalho Eanes, Aurora Afonso e Mariana Margarido

Processo 16/35 min - cor - 120 min

 

 

Naqueles dias...

A lenda do leite na casa sombria.  Tempo interior.

Quase silêncio.

Luz.  A natureza como imemorial casa exterior.  Inverno.

O sangue recolhido nas duas mãos, mãe Ana.

 As emoções da infância que nascem de novo, sob outras formas, com outros rostos, outras.

O trabalho intenso para que as transmutações surjam e permaneçam na obra inteira e já independente de nós.

 

 

António Reis e Margarida Cordeiro

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]

 

 

 

 

 

 

3

 

 

 

D. Manuel Martins Manso 

(5 artigos)   

 

Bispo do Funchal e da Guarda

 P. José de Castro, Bragança e Miranda

Nasceu em Bemposta, concelho do Mogadouro, a 21 de Novembro de 1793; filho de António Martins e de D. Isabel Manso, proprietários, moradores na mencionada povoação.

Formou-se em cânones pela Universidade de Coimbra em 1819. Foi nomeado, sucessivamente, cónego, chantre, governador do bispado e vigário capitular da diocese de Bragança.

       Enquanto governador, publicou três pastorais no ano de 1843: a primeira, a 17 de Dezembro, a insistir sobre a concorrência do clero às palestras de moral; a segunda, a 2 de Dezembro, sobre a fé católica e a prática da virtude; e a terceira, a 23 de Janeiro de 1844, contra os párocos que eventualmente pregassem doutrinas subversivas, opostas à Igreja ou às prerrogativas da coroa.

       Como vigário capitular publicou algumas pasto­rais: a 28 de Março de 1847, anunciou que a Santa Sé dis­pensara os párocos, durante 10 anos, de aplicar as missas, pro populo nos dias santos suprimidos; a 23 de Agosto comunicou o jubileu concedido pelo Papa Pio IX; a 8 de Fevereiro 1848, reanimou o clero para uma melhor compreensão dos seus deveres - compostura e honestidade de costumes, ensino a doutrina cristã e solidariedade com as autoridades civis; a de Março de 1849, avisou que os pedidos à Nunciatura de dispensas gratuitas deviam ser feitos pelos prelados; e a 14 de Março do mesmo ano, exortou os fiéis a concorrer com esmolas para a comissão de subsídios organizada em Lisboa a favor do Papa Pio IX.

             A 22 de Janeiro de 1850, mandou ao Papa uma carta a dizer da grande devoção do povo bragançano a Nossa Senhora sob todos os títulos e, es­pecialmente, a Nossa Senhora da Conceição, e que, tanto ele como o clero e o povo, se congratulariam pela definição dogmática deste excepcional privilégio, perfeitamente de acordo com o que havia escrito ao Internúncio em 26 de Outubro de 1849.

Foi elevado a bispo, sendo colocado na diocese do Funchal, tendo sido nomeado e apresentado por Dona Maria II, por carta régia de 4 de Dezembro de 1849 e confirmado pelo Papa Pio IX.

Em 1858 é transferido para a diocese da Guarda, da qual tomou posse a 29 de Julho de 1858, tendo sido apresentado pelo Rei D. Pedro V, e confirmado pelo santo Padre Pio IX.

Faleceu e está sepultado na Guarda, em 1 de Dezembro de 1878

 

 

 

 

 

O Bispo da Guarda

Atenciosamente A.B.Cordeiro (Mogadouro.com)

     

D. Manuel Martins Manso , nasceu em Bemposta concelho de Mogadouro a 21 de Novembro de 1793, era filho de António Martins de Bemposta e Isabel Manso de To, proprietários e moradores em Bemposta.

Formou-se em cânones pela universidade de Coimbra em 1819, foi Chantre da Sé de Bragança, onde exerceu por muitos anos o cargo de governador do Bispado e Vigário Geral, foi elevado a Bispo tendo sido colocado na Diocese do Funchal por decreto de 18 de Abril de 1858 como consta do seu epitáfio que diz. HIC JACET D.EMMANUEL MARTINS MANSO  NATVS 21 NOVEMBRIS 1793 ELECTUS EPISCOPUS FUNCHALENSIS 18 MAII 1849 CONFIRMATUS CONSISTORIO 28 DE MAII 1850 TRANSLATUS AD DIOCESIM EGYPTANENSEM CONSISTORIO 18 MARTII 1858  DEFUNCRUS 1 DECEMBRIS 1878  REQUIESCAT IN PACE AMEN Martins Manso trabalhou muito em prol da causa católica salientando-se o seu trabalho na Diocese da Guarda pelo empenho na visita pastoral que fez a Covilhã e sua região.

Quando ja nâo podia devido a sua avançada idade fez continuar sua obra através de missionários e de entre eles vale a pena destacar, Luis Prosperi e Jose Guerreiro que realizaram várias missões pela diocese com grande resultado e apoio dos paroquianos. A diocese da Guarda lhe deve a sua independência, porque tendo o governo decretado a sua extinção por decreto de 1869 ele inspirou e dirigiu um movimento de protesto por todo o bispado com apresentação a Pio IX e ao rei D. Luís , que foi da máxima eficácia , sendo não só a diocese conservada aquando da circunscrição diocesana de 1882 mas até ampliada com Pinhel e parte de Castelo Branco.

( queria pedir para que fosse feita uma rectificação sobre os dados deste prelado pois numa lapide de uma rua na Vila esta com quase 100 anos a menos)

 

 

 

 

 

 

 

D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (1)

 

Manuel Cordeiro - Professor da UTAD  (Mogadouro.com)

 

Foi no ano de 1793, no dia 20 de Novembro que nasceu aquele que viria a ser uma personalidade de destaque na igreja portuguesa. Bemposta foi a aldeia que teve o privilégio de ver nascer o que viria a ser Bispo do Funchal e, posteriormente, da Guarda. Era filho de António Martins e Isabel Manso, ele natural da freguesia de Bemposta e ela da freguesia de Tó, ambas pertencentes ao concelho de Mogadouro. Seus pais casaram no dia 24 de Maio de 1792, sendo oficiante o Padre Manuel Cordeiro. Foi baptizado na igreja Matriz e seus padrinhos foram o Padre Manuel Marcos Cordeiro de Bemposta e Maria Marcos de Tó. Era Bispo de Bragança D. António Veiga Cabral e Câmara.

Os pais, agricultores abastados, tiveram quatro filhos. Manuel e o Francisco. A exemplo do que acontecia com as famílias de relevo à altura, os pais fizeram Declaração de Genere (Arquivo Episcopal de Bragança, Caixa 236, Processo 4139) de três dos filhos, tendo chegado à condição de padre o Manuel e o Francisco.

Depois de fazer os estudos da escola primária em Bemposta, ingressou no Seminário de Bragança onde concluiu Teologia. De seguida foi para a Universidade de Coimbra onde frequentou o curso de Direito Canónico tendo obtido o grau de Bacharel no ano de 1822. Regressou a Bragança e foi ordenado Padre nesse mesmo ano.

D. Manuel Manso, pela visibilidade que teve deu um contributo importante para que a família a que pertencia se tornasse ainda mais conhecida e continuasse a ser uma família, no verdadeiro significado que a palavra encerra. A união, por casamento, de elementos da sua família com as famílias Cordeiro, Ferreira e Neves, permitiu construir uma unidade entre os seus elementos, por casamento, que perdurou até hoje.

As qualidades intelectuais, a sua forte personalidade e o seu jeito peculiar para o exercício do sacerdócio, auguravam-lhe um futuro promissor na sua carreira eclesiástica. Não espanta pois que no ano em que foi ordenado sacerdote fosse nomeado Vigário Geral do bispado de Bragança e, depois, Cónego da Sé de Bragança. Em 15 de Maio de 1825 foi nomeado Chantre da Sé Catedral; em 29 de Dezembro de 1829 Provisor; em 17 de Maio de 1830 Examinador Sinoidal e em 14 de Maio de 1832 Vigário Capitular.

No ano de 1834, muito difícil para a igreja católica, delegou as responsabilidades que detinha, noutro sacerdote eleito pelo Cabido. Segundo alguns estudiosos do seu trajecto, como o Dr. Pinharanda Gomes no seu livro sobre a sua vida, este estratagema foi por ele usado para iludir os liberais, continuando a ser ele, na prática, o vigário de facto sendo chamado o “vigário oculto”, no círculo dos membros da igreja em Bragança.

Teve que resolver muitos problemas para lá dos inerentes ao funcionamento de uma diocese católica. Com a sua ponderação e com a consideração que por ele tinham os seus comandados, foi resolvendo todos esses problemas. Antes de ser nomeado Bispo do Funchal, escreveu uma carta ao Papa Pio IX (26.10.1849) apoiando a proclamação do dogma da Imaculada Conceição de Maria.

 

 

 

 

D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (2)

 

Manuel Cordeiro - Professor da UTAD  (Mogadouro.com)

O exercício do seu episcopado na diocese do Funchal não foi fácil. Devido à sua forte personalidade e à sua atenção permanente aos seus diocesanos, enfrentou alguns problemas durante esse período. No jornal A Ordem de 8 de Janeiro de 1853 pode ler-se uma carta do Cónego Nery, muito contestatário da actuação do Senado da Igreja do Funchal aquando da realização de um Te Deum na Sé Catedral em honra do Visconde de Fornos de Algodres, Senhor José Silvestre Ribeiro, ex-Governador da Madeira, e que tinha sido nomeado Par do Reino. A razão desta polémica teve a ver com o facto de o Bispo D Manuel Manso não ter autorizado a celebração de um Te Deum em obséquio de Sua Majestade Imperial, a Senhora Duquesa de Bragança, que aqui chegara com a sua “Ilustre Filha enferma”, com o objectivo de esta melhorar com os ares saudáveis da Madeira. Dizia este clérigo que tal Te Deum era inconveniente, desnecessário, lisonjeiro, bajulador, faccioso, ridículo, cabralino, ofensivo ao novo Governador, ultrajante ao Governo da Capital e imprudente.

Estas afirmações foram extemporâneas como pode ver-se pela resposta que o Marquês de Resende deu, aclarando o que se tinha efectivamente passado. Não tinha sido o Bispo que recusou a celebração do Te Deum. Foi a pedido da Imperatriz que isso aconteceu pois esta manifestou o desejo de adiá-lo para quando a Princesa Dona Maria Amélia estivesse em estado de a ele assistir. O Te Deum acabou por se realizar no dia 4 de Janeiro de 1853, no dia de aniversário de Sua Majestade a Rainha. No jornal A Ordem do dia 5 pode ler-se: às onze horas e meia cantou-se Te Deum na Catedral oficiando S. Excia Reverendíssima o Bispo da Diocese, D, Manuel Manso. Estiveram presentes a Câmara Municipal, as autoridades civis, militares e judiciais, alguns cônsules e outros cidadãos. À saída deram-se as descargas do costume, vivas ao Rei e houve iluminação.

Este episódio é elucidativo das “guerras” que havia no seio da igreja funchalense. Foi neste ambiente que ele teve que desenvolver o seu episcopado.

A permanente atenção que dedicava aos problemas que envolviam os seus diocesanos estão espelhados no texto que se segue, do dia 26 de Julho de 1851 publicado no Jornal Correio da Madeira que diz: “Exmo. Senhor Administrador do concelho do Funchal: tenho a honra de acusar a recepção do ofício de V. S. de 4 do corrente, e de lhe participar que em virtude da certeza que V. S. por ele me deu da existência do terrível flagelo da Chell morbus na ilha quase vizinha da Grã Canárias, fiz expedir aos Reverendos párocos da diocese para fazerem preces por 3 dias, exortando os seus paroquianos a assistirem a elas, acompanhando-os com fervorosas orações …”.

D. Manuel Manso era uma pessoa muito simples. Diz-se que, em consequência disso, nunca ocupou o Paço Episcopal. Os seus donativos a instituições da igreja na Madeira eram muito frequentes. No texto publicado no Jornal A Ordem de 19 de Junho de 1858, aquando do seu regresso a Portugal continental, tendo com destino a Diocese da Guarda pode ler-se o seguinte: no dia 13 do corrente mês pelas 11 horas da manhã embarcou no Brigue Galgo para Lisboa Sua Excia Reverendíssima o Sr. D. Manuel Martins Manso que foi transferido desta Diocese para a da Guarda. Sua Excia deixou aqui as mais lisonjeiras impressões sobre as suas muito reconhecidas virtudes. Prelado mais sisudo e respeitável pelo seu carácter, não ocupou o paço Episcopal. Consta-nos que fizera muitas esmolas antes da sua partida, além das que costumava fazer habitualmente e sem a menor ostentação…foi acompanhado no trajecto até ao barco, por um grande número de pessoas de todas as classes entre as quais o Brigadeiro Baldy, uma deputação do Cabido …”. Também o acompanhou ”o General Pierce, ex-Presidente dos Estados Unidos da América…”. Este estivera na ilha para que a sua esposa beneficiasse do excelente clima que ali existia. Pode ler-se ainda que ”o Reverendo prelado foi conduzido ao barco na galeota do governo, tendo sido dada uma salva de 21 tiros quando a galeota passava em frente da fortaleza do ilhéu”.

Terminava assim a etapa da sua vida de Bispo do Funchal e iria iniciar-se outra, bastante importante pelas lutas que teve que travar para manter a Diocese para onde fora transferido, a da Guarda.

1854 - O prelado diocesano D. Manuel Martins Manso, que neste ano visitou a paróquia de Santo António da Ilha da Madeira, a 23 de Setembro, crismou 187 pessoas.

 

 

D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (3)

 

Manuel Cordeiro - Professor da UTAD  (Mogadouro.com)

Por motivos de saúde resignou do bispado do Funchal, tendo sido colocado na diocese da Guarda em 18 de Março de 1858 até à sua morte. Aqui desenvolveu um conjunto de actividades que muito contribuíram para que o seu nome ficasse ligado a algumas delas, muito importantes para a diocese e seus habitantes. A renovação do Seminário, a evangelização da diocese com a vinda de missionários contratados, a luta contra o avanço do protestantismo que na época se instalava na diocese, tendo para o efeito condenado as denominadas “bíblias falsas”, a restauração de parte da Sé, foram algumas das suas medidas para repor a diocese no lugar que lhe era devido. O seu maior desafio, a manutenção da diocese da Guarda, venceu-o com a ajuda do sobrinho Francisco, licenciado em Direito e, posteriormente, ordenado Padre e, mais tarde, Chantre da Sé e o braço direito do tio, sendo mesmo, por muitos, considerado o mentor de muitas das iniciativas que o tio levou a cabo. Quando D Manuel chegou à Diocese da Guarda encontrou uma pobreza social muito visível Para amenizar estes problemas associou-se à fundação do Asilo de Infância Desvalida, iniciativa do Governador Civil Sande e Castro. A partir daí muitos sacerdotes testamentaram parte dos seu bens para ajudar o Asilo. Apoiou o Comissário de Polícia, Geraldo Batoreu, a fundar a primeira Corporação de Bombeiros tendo, mais tarde, o bispo D Tomaz doado uma casa para instalar a sua sede. Revitalizou o Seminário dando-lhe a dignidade merecida e tornando-o uma instituição valorizadora dos seus estudantes. Quando ele chegou os professores recebiam muito abaixo dos professores do ensino liceal. Com a sua acção esta situação alterou-se e passaram a receber o mesmo. Para isso promoveu uma reforma curricular e económica, passando a receber mais do dobro dos alunos que até então o frequentavam. A maior parte destes alunos eram de origem pobre e não pagavam quaisquer propinas. A sua acção foi também decisiva para a constituição de um corpo docente de qualidade. Para isso recorreu à sua família interessando vários dos seus sobrinhos a viver na Guarda. Os seus sobrinhos Francisco Manso, João Manso, José Manso, João Cordeiro e Francisco Cordeiro, ficaram intimamente ligados ao Seminário. Alguns deles ocuparam o cargo de Reitor e Vice-reitor. A importância da sua família na Guarda fica bem evidenciada pelos cargos de grande influência religiosa e civil que muitos deles ocuparam. Entre 1870 e 1892, ele era o bispo, o Francisco Manso, Chantre da Sé, o João Manso, Governado Civil e Juiz Auditor Administrativo em Aveiro, o João Cordeiro, Vice-reitor do Seminário, o Francisco Cordeiro, Reitor do Seminário e o José Manuel Manso, Presidente da Câmara Municipal e, mais tarde, Visconde de Vale Pereiro, Alfândega da Fé. Foram vários anos de hegemonia da família Manso e Cordeiro na cidade da guarda, longe da terra natal das duas famílias, Mogadouro e Alfândega.O grande combate da sua vida foi a oposição à extinção da Diocese da Guarda, previsto na reorganização nacional das dioceses. Foi uma batalha que ganhou, muito apoiado pelos sobrinhos, especialmente o Francisco, considerado o grande obreiro da luta travada para vencer a ideia de acabar com a diocese que já vinha de há algum tempo. Para evitar isso D. Manuel Manso dirigiu um amplo movimento de forças vivas da cidade e da região contestando essa decisão. Foi uma batalha muito dura com vitória para D Manuel. Morreu, sem que oficialmente nada tivesse sido decidido, embora se diga que, ao morrer, já sabia que a extinção estava posta de parte ( Pinharanda Gomes). E, com efeito, a reforma das dioceses (1881) manteve a da Guarda. O solar da Rua Direita onde viveu em família com todos os seus sobrinhos, foi palco das decisões que muito contribuíram para o governo da diocese. Morreu em 1 de Dezembro de 1878. Jaz no cemitério da Guarda.

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4

 

 

Vigário Francisco Manuel Martins Manso

 

 Bragancanet.pt

Vigário Capitular (e Chantre da Sé) da Guarda

 Nasceu na freguesia de Bemposta, concelho de Mogadouro, em 19.2.1836, falecendo em 1.9.1907. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Coimbra, em 1857.

            Nessa altura era Bispo da Guarda seu tio D. Manuel Martins Manso, que o convidou a fixar-se na Guarda, onde precisava dele. Francisco Manso faz, então, um curso teológico e é ordenado padre, em 1859, na Sé da Guarda, por seu tio. Acompanhou-o, depois, cerca de 20 anos, como secretário pastoral. E, aquando do jubileu de Pio IX, por Provisão de 23.5.1875 e por Pastoral de 1877, o P.e Francisco Manso chegou a actuar como se fosse bispo coadjutor do tio. Foi eleito Vigário capitular em sessão de 8.12.1878. Quando D. Manuel Manso estava convencido de que pouco tempo lhe restava de vida, quis designá-lo para bispo auxiliar. Chegou a iniciar o processo junto da Nunciatura. Mas quando o tio se abriu, sobre isso, para com o sobrinho, este disse-lhe abertamente que não desejava ser bispo. Como Vigário Capitular (e Chantre da Sé), governou o bispado de 1.12.1878, até 12.10.1883, data em que é empossado o novo bispo: D. Tomaz Gomes de Almeida. Tinha nessa altura 47 anos de idade o P.e Francisco Manso. Continuou a usar para com o novo bispo da lealdade de que usara para com o tio. Ficou conhecido pelo seu desprendimento dos bens terrenos e pela sua grande dedicação à fé. Foi Cónego em 1878. Encabeçou o movimento pela não-extinção da Diocese da Guarda, no que foi bem sucedido.  Publicou diversos documentos pastorais em nome de seu tio.

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]

 

 

 

 

 

 

6

 

 

Fátima Fernandes (arquitecta)

 

 

A arquitecta Fátima Fernandes, nascida em Bemposta Mogadouro, em 1961, desenvolve a sua actividade na CANNATÀ & FERNANDES arquitectos Lda.

O atelier desenvolve projectos nas áreas de arquitectura, planeamento e urbanismo, design, design gráfico e serviços de engenharia em regime de subcontratação directamente relacionados com a actividade principal de arquitectura. Desenvolve também uma importante actividade editorial através da edição de livros e comissariando exposições e seminários internacionais de arquitectura.

Têm sido distinguidos com vários prémios nacionais e estrangeiros o que realça a qualidade do trabalho realizado. (ver curriculum)     

 

         1979-1986          Estuda na Escola Superior de Belas Artes do Porto onde conclui o curso de Arquitectura.
         1984                  Faz estágio em Itália, acompanhada pelo prof. Arq. Manuel Mendes.
         1990-1992          Arquitecta Responsável pelo Gabinete de Apoio ao Centro Histórico de Miranda do Douro.
         Desde 1996        Professora da Secção de Arquitectura (Arquitectura V) na Escola Superior Artística do Porto. ESAP.
         2003                  Dá início ao Doutoramento na Escola Técnica Superior de Arquitectura da Universidade de Madrid.

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]

 

 

 

7

Lourenço Marcos Cordeiro


 

 

Foi Juiz em Mogadouro e também pertenceu à vereação da Câmara. Nasceu em Bemposta, estudou no Colégio das Artes ou Colégio Real das Artes e Humanidades de Coimbra, em 1814, Filosofia e Latim e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

 

 

Manuel Cordeiro (Mogadouro.com)

 

 

 

seta.jpg (1059 bytes)[ Home Bemposta ]